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Erva-de-Santa-Maria 

Chenopodium ambrosioides, Lineu.
Família = Chenopodiaceae

Indicações: estomáquico, diurético, vermífugo, sudorífico, para angina e infecções pulmonares. Cicatrizante, para contusões (uso externo) e como inseticida.

Partes usadas:   folhas, ramas, flores e sementes, em:

 Cataplasma: colocar 1 xícara de vinagre, 1 colher de sopa de sal, amassar a planta na mistura até obter uma papa, colocar sobre o local afetado e enfaixar (contusões);

 Como repelente de  pulgas, piolhos e percevejos (colocar os ramos da planta nos locais infestados;

Tintura a 20% misturada ao melão-de-são-caetano serve para pulverizar os mosquitos.

O uso oral desta planta só deve ser feito com aconselhamento médico e acompanhamento de um profissional da área de saúde, pois,  deve ser administrada com cautela. É contra indicado para gestantes e para crianças menores de 2 anos de idade

Características Botânicas:

                      Planta originária da América. Erva anual, com escassos pelos curtos no caule, que tem sulcos longitudinais pouco profundos, verdes e , entre eles, faixas esbranquiçadas ou rosadas.         As folhas possuem pecíolo curto, são lanceoladas com bordas mais ou menos sinuosas, providas de pelinhos curtos e ralos, glandulíferas na fase inferior. Possuem sabor aromático, mais forte e algo desagradável nas sumidades floridas.    As flores são muito pequenas e aglomeram-se em pequenos ramalhetes que surgem da axila das folhas superiores, formando o conjunto uma longa panícula. Morgam (1979).

O  gênero Chenopodium é cosmopolita e conta com de cerca de 150 espécies de sub-arbustos anuais e perenes. Chenopodium vem do grego "chen', ganso e "pous", pé (as folhas de várias espécies lembram o formato de pés de ganso). Na família Chenopodiaceae encontram-se muitas plantas úteis, como as Beterrabas e o espinafre. Uma planta do gênero Chenopodium, C. quinoa, cuja semente é parecida com lentilha, vem sendo cultivada há muito tempo pelos povos indígenas da Costa Pacífica da América do Sul, desde a Colombia até o Chile, sendo conhecida por "quinua". Chenopodium ambrosioides, uma erva tropical americana pungente, é extensamente usada na culinária mexicana, mas quase desconhecida em outros lugares. Várias espécies não aromáticas têm uma longa história de uso como plantas alimentícias.

A espécie Chenopodium ambrosioides (o nome ambrosoides deriva do fato que as inflorescências se assemelham às de Ambrosia sp.) é uma planta herbácea anual ou perene, de forte aroma, normalmente ereta, com cerca de 1 m de altura, reproduzida por semente. A produção de sementes é muito intensa, podendo chegar a dezenas de milhares por planta. A planta prefere solos de textura média, com boa fertilidade e suprimento moderado de água, tolerando solos salinos. O desenvolvimento vegetativo é favorecido por uma boa iluminação e as plantas se tornam mais competitivas em regiões e em épocas de dias longos, sendo o florescimento estimulado por dias curtos. Apresenta, especialmente nas folhas, pêlos vesiculosos que encerram um líquido de odor desagradável. A intensidade dos pêlos depende da variedade e das condições ambientais. Em épocas de seca a planta reabsorve esse líquido. Flores minúsculas, verdes aparecem em panículas no verão, seguidas por frutos verde-marrom, contendo uma única semente preta.

É uma espécie nativa na América tropical, sendo que diversos botanicos indicam o México como local de origem. Todavia A. von Humboldt relata que já em tempos pré-históricos a planta crescia nas Ilhas Canárias, e povos primitivos usavam-na como auxiliar no embalsamento de cadáveres. Hoje é vastamente distribuída em regiões de climas tropical, subtropical e temperado do mundo. No Brasil é ampla a distribuição, com ocorrência em quase todo o território e tem vários nomes populares: Ambrósia, Quenopódio, Erva-de-santa maria, Erva-pomba-rola, Erva-formigueira, Chá-do-méxico, Mastruço, Mastruz, Erva-mata-pulga, Uzaidela.

              Bioquímica

As plantas são colhidas, principalmente, no outono para extratos líquidos e são secadas para fabrico de pó. As folhas são usadas frescas e também conservadas como exigido para posterior uso. É uma erva picante, adstringente, fortemente aromática que destrói parasitas intestinais, aumenta a transpiração e relaxa espasmos. Também tem efeitos expectorante, anti-fungica e insecticida. Das folhas e flores pode-se extrair um óleo essencial que contém ascaridol. Foram isolados dois compostos ativos: glicosídio de quercitina e isohametina.

A "Erva-de-Santa Maria" é tradicionalmente usada no Brasil para afugentar pulgas e percevejos domésticos, sendo colocada, seca, sob o colchão ou lençol da cama. Fazem-se vassouras com a planta que, ao varrer a casa, afugenta pragas domésticas. Infusões ou extratos são usados como vermífugos, sendo realmente eficientes. No passado cultivava-se essa planta para a preparação de antihelmínticos oficinais, cuja descrição do processo foi publicada na Farmacopéia Brasileira de R. ALBINO. A ação é mais pronunciada contra ancilóstomo que sobre lombriga. O chá preparado com as folhas é pouco eficiente contra vermes intestinais, mas é considerado como estimulante estomacal. Medicinalmente a erva é usada internamente para tênia, outros pequenos parasitas, disenteria por amebas, asma e catarro. Externamente é usada para pé de atleta (chulé) e picadas de insetos.

Componentes ativos encontrados na planta são tóxicos. Em experimentos com administração da planta a porcos foi constatado o desenvolvimento de lesões hepáticas e glomerulares, sementes causaram tumores no estômago. O ascaridol provoca irritação na pele e mucosas, vômito, vertigem, dor de cabeça, danos nos rins e no fígado, colapso circulatório e eventualmente morte. A ingestão de infusão ou extrato por mulheres grávidas pode provocar aborto. Mulheres grávidas, pessoas idosas, crianças e pessoas debilitadas em geral não devem, de forma alguma, ingerir preparados com essa planta. O excesso causa vertigem, vômito, convulsões e até morte.

O óleo de chenopodium contém um vermífugo de largo espectro que é extensamente usado na medicina veterinária. É produzido de Chenopodium ambrosioides e também da variedade anthelminticum, que tem inclusive um teor mais alto do componente ativo. Na Argentina era comum o emprego dessa planta para o tratamento de verminoses de ovelhas. Também é usada como fumegante contra mosquitos e incluída em fertilizantes para inibir larvas de insetos. Compostos encontrados na planta são capazes de inibir o desenvolvimento de alguns fungos de solo, bem como o desenvolvimento de insetos como Scrobipalpula absoluta (traça do tomateiro) e Spodoptera frugiperda (lagarta do cartucho do milho), podendo ser usado, nas lavouras, como inseticida biológico.

               Chenopodium album

É uma espécie originária da Europa, sendo nativa também na Asia. Ocorria na Bretanha já na parte final e logo após a Era Glacial. Sementes de Chenopodium album foram encontradas no estômago do homem de Tollund (100 AC). Ainda hoje é muito comum no Continente Europeu, sendo cultivada como legume e erva culinária. Povos de língua anglo-saxônica chamavam a planta de "melde" e o nome "Meldeburna", que significa "ribeirão onde crescem meldes" foi dado a uma povoação no século 10; esse nome foi alterado para Melbourn que hoje também é o nome de uma cidade na Australia. A planta alastrou-se ou foi levada para outras regiões, ocorrendo intensamente na América do Norte, marcando presença também na Ásia, inclusive na Península Arábica. Na América do Sul tem uma presença mais intensa no chamado cone Sul. No Brasil tem ampla distribuição, mas aparece quase sempre em forma de bolsões. Na região dos Campos Gerais, Paraná, tem ocorrido como infestante de lavouras. É uma das plantas com mais vasta área de distribuição pelo mundo, ocorrendo desde o Paralelo 70 ao norte, até o Paralelo 50 ao sul. Na Europa era uma das mais importantes verduras, até ser substituída pelo espinafre. Durante a colonização da América do Norte, os pioneiros também usaram a planta para consumo humano e como forragem para animais. As folhas novas eram fervidas e preparadas com manteiga, sal e pimenta. As sementes eram incorporadas na massa de pães e bolos e, por serem muito duras, eram previamente maceradas.

              Citações bibliográficas:

- Cruz em 1979, op. cit in Silva, E. B da (1997),  a análise química da planta, embora imperfeita, revela a presença do óleo essencial e uma resina; a planta é vendida nas farmácias em forma de extrato fluído, tintura, essência e xarope, bem como in natura e também em líquido, nas casas especializadas na venda de produtos vegetais.

- Albuquerque (1989) in Silva, E. B da (1997), relata que o uso desta planta é eficaz nas infecções pulmonares, nas hemorróidas, varizes, angina, nas hemorragias internas, ótimo para o estômago, sudorífico, bom para cãibras e má circulação do sangue.

- A. Balbach, in Silva, E. B da (1997), refere que geralmente é conhecido como abortivo o efeito desta planta e que, em doses fortes, a essência quando usada para combater vermes trazem doenças e algumas vezes até a morte.

 Souza et. al (1991) in Silva, E. B da (1997), afirma que a planta pode deixar efeitos colaterais como irritação nos rins, vômitos, convulsões, náuseas e até coma. Mas, que o uso cautelar do sumo com leite, é fortificante dos pulmões, combate a gripe; triturada a erva, pode ser usada em contusões e fraturas com bom resultado.

 

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